Irmão Rico, Irmão Pobre

Quando o assunto é futebol, os apaixonados pelo tema concordam numa coisa. O Barcelona da Espanha é um dos melhores times da atualidade. A equipe é a base da seleção nacional campeã na África do Sul, tem uma das folhas salariais mais caras do mundo do esporte, uma estrutura milionária e craques consagrados como o argentino Lionel Messi, o espanhol Xavi e o brasileiro Daniel Alves. Mas isso todo mundo sabe. O que pouca gente sabe é que em São Félix, cidade a 110 km de Salvador, longe dos holofotes e das cifras catalãs, o amor de três amigos pela bola fez nascer um xará, o Barcelona do Recôncavo, tão amado pela torcida e tão temido pelos adversários quanto o gigante espanhol. Começou em 2008. Antes de lotar estádios, os torcedores do Barcelona enchiam ginásios. A mudança de terreno surtiu efeito e no ano passado o time chegou ao inédito título de vice-campeão do Torneio Interbairros da cidade de São Félix. A façanha disparou o número de torcedores do time, hoje a cada jogo cerca de 200 apaixonados lotam as arquibancadas e esse número só cresce a cada dia.

Dura Realidade

Enquanto o irmão rico disputa o campeonato mais importante do mundo, a Liga dos Campeões, o pobre convive com o amadorismo do futebol brasileiro. A ausência de competições para disputar é um sério problema do Barcelona do Recôncavo. Hoje, sete jogadores estão emprestados à seleção de São Félix que disputa o Campeonato Baiano Intermunicipal. O time só volta à ação em setembro para um torneio de futebol de salão. A diretoria e os jogadores estão confiantes em um retorno vitorioso às origens. Outro problema é a falta de investimento. Os patrocínios são tímidos e a maior parte dos recursos vem do bolso dos fundadores do clube e do esforço coletivo dos jogadores. Wagner, 27 anos, volante, diz que pretende encerrar a carreira no clube. Já Jorgão, 28 anos, lateral, compara-se a um jogador de outro grande clube europeu, o Milan da Itália. “Acho que pareço com o Seedorf, que é o mais bonito do time”, exagerou o atleta.

Fotos: Lenise Luz

2 comentários:

  1. Ah o futebol... só ele para proporcionar historias como essa

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  2. Show de bola, digo, criatividade... sucesso bem reconhecido!

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