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Dúbio



Na Atualidade
Tem Verdade que é Mentira
Tem Mentira que é Verdade
Fruto da Ira, Prova da Maldade
Na Sociedade

Desde que o Mundo Gira
O que me Tira Toda Humanidade
O que me Pira na Realidade
É que Toda Verdade é uma Mentira
Toda Mentira é uma Verdade

Endereço


Minha casa fica naquela direção
Depois da encruzilhada virando à direita
Anda duas quadras e vira a esquina
Atravessa aquela ponte velha de madeira
Vai pela beira do rio
Sobe e desce umas ladeiras
Dá a volta por trás daquele morro
Cuidado com a canseira
Pega uma estrada de chão
Prepare as soleiras
Depois da curva do vento
Você vê ao longe uma porteira
Para chegar até ela
Só precisa subir a ribanceira
Quando tiver lá em cima
Não precisa de carreira
Falta pouco pra chegar
Mais ou menos uma légua e meia

Poema-Som

Eu gostava de Rock
De Reggae e de Samba
Você disse que era absurdo
Ser Black e ser bamba

Passei a gostar de Eletro
De Pop e de Forró
Você disse que era eclético
Mandou escolher um só

Passei a gostar de Ópera
De Bolero e Baião
Você disse que não era “Gostar”
Era só diversão

Tentei cantar
Você disse que eu desafinava, saía do tom
Tentei dançar
Você disse que eu errava, não era bom

Tentei falar mal de Arrocha
De Funk e de Pagode
Você disse “Espera”
Aí não pode!

Te mandei à Puta que pariu
Você se ofendeu
Ora, gosto não se discute
Cada um tem o seu

Você foi embora
Eu até que achei bom
Você era um disco arranhado
Eu não podia ouvir o seu som

Você era uma fita k7
E eu era mp3
Agora sem você, gosto de rock
Reggae e Samba outra vez

Um Brinde aos Falsos (Todas as coisas que quero dizer neste novo ano)

Tem gente que reclama que o mundo é um lugar cão
Depois me vê na rua, late e quer apertar minha mão
Os cães são pobres criaturas de Deus
Não ofenda estes animais
Não os compare a essa sua língua
A qual, tenho quase certeza, é obra do Satanás
Viver é celebrar as verdadeiras amizades
Pelos meus amigos serei a Deus eternamente grato
Por isso sou feliz.  Vivo bem. É isso que eu faço,
Se você tem inveja, leve seu jeito dissimulado para o inferno
Use sua língua de cobra e diga que fui em quem te mandou pra lá
Vá armar suas tretas e confusões para cima do diabo
Só ele vai saber a tua alma compensar

Recomeço



Tomar um Banho
Lavar a Cabeça
Tomar uma Cerveja
Lavar a Mente
Arrumar o Juízo
Limpar o que se Sente
Medir a Temperatura
Descobrir o que já está Descoberto
Que para todo o mal existe Cura
Exceto para o mal de Amar
Para o qual não há como se Armar
Só o Tempo é capaz de Remediar

A Cidade e o Poeta

Caminhar pelas ruas da cidade de São Cristóvão, em Sergipe é uma coisa. Caminhar ao lado do senhor Manoel Ferreira dos Santos, é outra. Sentar-se pra bater um papo rápido então, é ter a chance única de fazer uma viagem no tempo. E a viagem pela história da vida do Seu Manoel se confunde com a história da própria cidade. São Cristóvão é a quarta cidade mais antiga do Brasil. Tem quatrocentos e vinte e um anos. Já foi a capital sergipana. Foi também palco de guerras e invasões holandesas e espanholas que a destruíram. Hoje reconstruída, soma uma população de quase oitenta mil habitantes.

Entre eles Seu Manoel, o poeta. Sentado na escadaria do prédio dos Correios, para descansar da caminhada. O hoje aposentado de oitenta e nove anos, é cumprimentado por todos que passam, alguns não se contentam simplesmente em reverenciá-lo, se aproximam, puxam conversa e fazem questão de receber ao menos um aperto de mão. O Poeta Manoel, nasceu, cresceu e morou a vida inteira em São Cristóvão. Veio da roça ainda pequeno. Na cidade casou-se, teve filhos, netos e bisnetos e entrou para a história política do estado de Sergipe. Chegou a ser deputado estadual. Depois de saber que estava eleito, sofreu um golpe da classe elitista da época e teve que dividir a cadeira com um adversário. Apesar dos pesares, ele ainda se recorda do anúncio feito por um locutor de rádio de que estava eleito e a festa da classe operária que o carregou nos ombros:

 - O tirbunal pronunciou o resultado. “Partido Trabalhista Brasileiro elegeu quatro deputados estaduais: Eugênio Lacerda, de Aracaju; Hildebrando Néopila, de Vila Nova; Iruphá Militão, que era o filho do presidente do partido, de Salgado Estância; e Manoel Ferreira doos Santos, da cidade de São Cristóvão.” Aí veio, aquela turma de operários cantando, aquela alegria, eu me levantei, saí com eles, fomos até um bar perto da antiga estrada de ferro. E lá, eu disse ao dono do bar: “ Faça o levantamento do seu estoque de comer e beber, libere para os amigos e amanhã me dê a conta.”

Ele ainda se candidatou ao governo do estado. Não se elegeu mas, entrou para sempre na história da pacata São Cristóvão. Virou a lenda viva, que hoje, se orgulha de ter filhos, netos e bisnetos, formados e trabalhando na capital, a maioria deles advogados. Hoje o que deixa esse homem de 89 anos e centenas de histórias feliz é viver para ver o tempo passar, prozear com os amigos, e recitar seus poemas.

Seu Manoel caminha tranquilo, feliz com aquilo que conquistou, sabe que o vigor da juventude já não o acompanha mais. Sabe que o fim está de fato mais próximo que o começo. Mas, sabe tambem que se não fosse por ele. Aquele seria um lugar diferente, talvez mais triste, talvez menos elegante. Mas, não gosta de pensar nessas coisas. Talvez também, por ter vivido o bastante pra saber que se ainda está vivo é por que ainda há muito para realizar. Conheça um dos poemas do Seu Manoel :

Solidariedade

Fé, coragem e dignidade
Em toda e qualquer circustância da vida
Para gozar tranquilidade
E viver de fronte erguida
Fé, patrimônio sagrado
Gratuitamente adquirida
Mérito assegurado
Nesta e em outra vida

Quem solidário sorri
Saboreando delícias
no decorrer da vida
E ao alcançar a velhice
Alcançará a vida eterna

Alegria meus amigos
Solidificando a solidariedade
Patrimônio de quem crê e ama
E preserva a dignidade
O presente que vos dedico
A título de homenagem
Com estima e respeito
Deste negro velho, feio
Seria o cântico dos pássaros

Um beijo no coração
A título de homenagem
Fiquei enriquecido
Por Jesus Cristo apaixonado
Muito obrigado


Andorinhas


Nos céus do meu coração
As Andorinhas passarão
pássaros profetas a anunciar
A mudança da estação

A tarde passarão dezenas
Vindas de longe para me fazer verão
Em terra, desejarei uma apenas
Que leve para longe minha solidão

E quando voltarem as andorinhas
A anunciar nova estação
Que tragam só boas novas
Para os céus do meu coração

Amor que se construa
Felicidade que se mantenha
Amizade, que seja nua e crua
Paz, para quem não a tenha

Outros profetas ão de passar
Outras novas irão trazer
Qualquer dia há de chegar
Outros braços que possam me aquecer

Enquanto meu coração estiver aquecido
Por pássaros e profetas
Talvez possa ter me esquecido
De sentir saudade das tuas promessas

Lembrarei de ti e do teu amor
Como uma coisa boa
Que foi embora como uma andorinha
Que hoje, nos céus do meu coração
Inda voa, voa, voa

Foto: Almariada

Consuma-Me


O despertador toca
Ligo o rádio
Ligo a TV
Entro no banheiro
Saio do banheiro
Aumento a TV
Acendo o fogão
Acendo a luz
Ligo o DVD
Saio de casa
Volto pra casa
Ponho um CD
Ligo o microondas
O ventilador, a cafeteira
Ligo o celular
O computador, a geladeira
Desligo tudo
Vou dormir
Será que alguém lembrou
De desligar o planeta?

In



Infame
Inútil
Insano
Inacreditável
Íntimo
Inerte
Inibido
Inigualável
Incomum
Incapaz
Inconsciente
Inesgotável
Inatingível
Inexplorável
Incandescente
Incomparável
In my day
In my heart
In my life
In my love

A Menina Das Minhas Retinas



Quero passear no teu corpo
Começando pelo cabelo
Passando pelo pescoço
E brincar com teu dorso
Quero me divertir com teu pé
E agarrar os teus dedos
Como se fosse um gato
E eles o novelo

E na tua boca
Quero decifrar as tuas palavras
Da maneira mais louca
Que nenhum louco jamais imaginara


E por fim chegar ao inabitado
E desfrutar da sensação
De viver o resto da vida
No doce lar do teu coração
Porque só o teu corpo me fascina
Porque só a tua idéia me ilumina
Porque o meu prazer é saber que tu és
A escolhida das minhas retinas

(Des) Culpe


Desculpe se nunca fiz um poema pra você
É que as linhas se confundiriam com a saudade
E o tema seria amor ao invés de amizade
Mesmo sabendo que você já tem outra metade
Pois quando falo de você
Entre prosas, versos e rimas
Meu coração se anima

Desculpe se nunca fiz um conto pra você
É que nessa história
Eu seria rei e você rainha
E vilão? Nossa história não tinha.
E eu proclamava aos quatro cantos da cidade
Para que todos trabalhassem
Em prol da sua felicidade

Desculpe se nunca fiz uma canção pra você
É que o refrão falaria em vida a dois
Em agora e não em depois
E entre as estrofes eu te amaria
Com tanto fervor e paixão
Que iria chegar o dia de compormos
A nossa própria canção

Desculpe se nunca recitei pra você
É que minha voz tremeria
Talvez até gaguejasse
Ao ponto de parecer insano
E mesmo que decorasse
Não conseguiria falar
O quanto eu te amo

Não Dê o Seu Amor Pra Mais Ninguém

Refrão:
Não dê o seu amor pra mais ninguém
Não dê o seu amor pra mais ninguém, meu bem


De todos os pedidos que eu te fiz

Esse pode ser o último, meu bem
Quero que você seja feliz 
Espero que você esteja bem 
Mas, eu não suportaria ouvir 
Que você já ama um outro alguém


(Refrão)


Sei que por muito tempo eu 
Quis não me lembrar mais de você também 
Sei que fui eu quem pôs o fim
E do seu amor eu fiz desdém
Mas, eu não suportaria saber
Que a sua vida já tem outro alguém



(Refrão)

Quantas vezes eu te vi chorar?
Sem querer, nem mesmo, saber por quem
Hoje eu vim aqui pra te falar
Não dê o seu amor pra mais ninguém
Sei que nosso namoro acabou
E o tempo que passou não volta mais, eu sei
Mas, é que eu não posso imaginar
Que nos seus braços já tem outro alguém

Dom

Eu preciso te tirar da minha cabeça
Mas, eu não sei se vai dar
Pois quando olhar o mar
De você eu vou lembrar
E quando a brisa me tocar
Nos meus cabelos vai estar
E quando a tarde chegar
De quem é que eu vou lembrar?


Eu preciso fazer com que tu me esqueças
Mas, não sei se dá pra ser
Na hora de trabalhar
Eu vou lembrar de você
Quando tiver que estudar
O que é que eu vou fazer?
E quando a noite chegar
Quem é que vai me dizer?

Quem vai me dizer
O que você me diz? 
Quem vai me fazer 
Quem vai me fazer feliz? 
Por mais que eu tente 
Só você tem esse dom


Eu preciso te apagar da minha lembrança
Mas, eu não vou conseguir
Você é meu grande amor
Eu não tava nem aí
Quando você foi embora
É que eu fui descobrir
E agora sem você
Como é que eu vou sorrir?


E quem vai me dizer
O que você me diz? 
E quem vai me fazer 
Quem vai me fazer feliz? 
Se por mais que eu tente 
Só você tem esse dom 
de me fazer feliz

Sorte


Ela mal chegou e já partiu
Não me olhou, apenas sorriu
Sorriu como alguém
que deseja minha morte
Saiu feito uma raposa
Sem deixar lhe perguntar
Se queria se tornar minha esposa
Deixou meu peito mais forte
Hoje, se pedirem pra falar mal ou bem
Digo que não conheci
Foi alguém de quem não me lembro muito bem
Mas, seu nome era sorte