Emagrecer, praticar um esporte, levar uma vida
mais saudável. Ler mais, estudar mais, se dedicar mais. Aprender um novo idioma,
concluir a faculdade. Arranjar um emprego, conseguir um aumento de salário, uma
promoção. Se livrar do chefe, descansar. Arrumar um amor, namorar, casar, ter
um filho. Viajar, tirar aquelas férias, fazer uma segunda lua de mel. Juntar
dinheiro, reformar a casa, trocar o carro, comprar um barco, pagar um plano de
saúde, ir à praia usando filtro solar. Fazer um blog, plantar uma árvore, abrir
uma ONG, fundar uma coleta seletiva. Viajar vários países em uma moto, escalar
o Everest, o Aconcágua, o Pico da Neblina. Saltar de bungee jump, de base jump,
de asa delta, de para quedas. Deixar o cabelo crescer, fazer uma tatuagem. Deixar
de beber, de fumar, de ouvir música ruim. Ser solidário, ajudar mais, protestar
mais, desacomodar. Amar, tolerar, reconhecer, perdoar. Mudar o mundo, mudar as
pessoas, mudar. E no final, prometer tudo de novo para o próximo ano.
Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens
Guerras, amores e charutos em: “Uma história de novela”
No mundo, tem
gente, cuja história de vida daria um livro dos bons. Capaz até de virar de best-seller.
Uma dessas pessoas atende pelo nome de Rose Mary Schinke Martfeld. Mas, ela
logo sorri e retruca: “Meu filho, minha vida não tem história.” Será?
A história da
vida desta alemã com nome inglês de 68 anos começa ainda na década de 20 do
século passado quando Johann Heinrich Schinke deixa uma Alemanha devastada pela
guerra e vem trabalhar na Fábrica de Charutos Suerdieck em Maragogipe. Lá
trabalhou por dez anos até conseguir retornar a Alemanha para reencontrar o
grande amor que havia deixado para trás. Na Alemanha, Johann se casou e foi
feliz até que no segundo parto, sua esposa veio a falecer. Ele deixou então os
filhos Inger e Rolf em terras germânicas e voltou para o Brasil disposto a
recomeçar a vida. Aqui conheceu a charuteira Zelinda. Os dois apaixonaram-se,
casaram e tiveram três filhos Gerda, Helmuth e Rose.
A vida dos
Schinke seguia em progresso até ser novamente abalada pela guerra. Em 1942, o
governo brasileiro autorizou que empregados estrangeiros fossem demitidos sem
direito a indenização. Johann foi demitido, teve seus bens confiscados e foi
levado para Salvador. Abalada com a prisão do marido e com boatos de que ele
havia sido morto, a jovem Zelinda entra em um grave estado de depressão e dá
fim a própria vida. Deixando três filhos, entre eles, Rose com apenas quatorze
dias de vida. Sem pai, mãe, nem outros parentes na hora do registro, a garota
que devia se chamar Rose Marie acabou Rose Mary e assim ficou.
Quando Johann
foi libertado estava novamente viúvo e agora sem trabalho, com dois filhos na
Alemanha e três no Brasil. A família seguiu para Maracás onde viviam dezenas de
alemães na mesma situação. “Foi um tempo duro. Até a comida era a prefeitura
que dava” relembra Rose. Só retornaram ao recôncavo em 1948. Johann trouxe os
filhos da Alemanha e reuniu a família em São Félix, onde passou a trabalhar
como gerente da fábrica de charutos Dannemann. Não casou de novo. Trabalhava na
fábrica e cuidava sozinho dos cinco filhos. A família morava em um sobrado da
própria fábrica. Em 1955 a Dannemann veio à falência. Johann foi novamente
demitido sem direito a indenização. Sem dinheiro, o último bem dos Schinke teve
de ser vendido. A casa de Maragogipe onde, ainda que por pouco tempo,
conseguiram ser felizes.
Em 1958, Johann que estava doente com problemas pulmonares morre
a bordo de um navio retornando da Alemanha para a Bahia. O filho mais velho Rolf
passa a sustentar os irmãos. A família continua morando no sobrado da Dannemann
até este ser destruído por um incêndio em 1959. Rose seguiu a irmã Gerda que se
casou e foi para Salvador. Formou-se em contabilidade e sempre vinha a São
Félix nas férias. Numa dessas férias a jovem Rose foi ao antigo cinema de
Cachoeira e chamou a atenção de um descendente de alemães que por aqui vivia
Hermano Martfeld. A aproximação dos dois foi providenciada por um amigo em
comum de Rolf e Hermano. “Mano era lindo, alto, forte. Atiçava todas as moças.
Mas, foi só meu” salienta.
Rose e Hermano namoraram, casaram e se mudaram para Cachoeira
onde decidiram investir no ramo dos charutos. Nascia a Comercial de Charutos
Paraguaçu LTDA. Tiveram dois filhos e foram felizes. A fábrica prosperava até o
ano de 1999 quando Hermano faleceu de aterosclerose precoce. Sozinha, Rose
resolveu assumir os negócios da fábrica e descobriu que as coisas não iam nada
bem. Já doente Hermano deixou de pagar impostos. A fábrica estava em sérias
dificuldades financeiras e quem tinha a missão de reerguê-la era Rose que nunca
havia estado a frente de um negócio. Mas, ela conseguiu. Em 2003, a Paraguaçu
voltou a operar no azul. Rose então encerrou as atividades da empresa e montou
uma nova fábrica batizando-a com o próprio nome Rose Mary Schinke Martfeld.
Agora Rose,
prepara-se para mais um momento difícil na vida, a aposentadoria. Ela pretende
vender a fábrica e mudar-se em breve para Maragogipe. Onde pretende descansar e
a finalmente aproveitar a vida. Ao fim da nossa segunda conversa, quando me
despedi Dona Rose confessou: “É, Até que minha vida dava um livro mesmo.” Dá
sim, Dona Rose. Um livro dos bons!
Com informações do livro "Bahia de Todos os Charutos", de Hugo Carvalho
Foto: Revista Muito
Os muitos talentos e as muitas histórias do Professor Ceguinho
Em busca de
pessoas que tivessem boas histórias para contar nesta edição de aniversário de
115 anos do Jornal A Cachoeira cheguei até a casa do Professor Ceguinho. Um
senhor muito simpático que conheci durante o recenseamento do IBGE em 2010.
Soube de antemão que ele reservava na memória, histórias que fizeram parte da
vida de dezenas de cachoeiranos e assim fui conversar com ele. Ceguinho abriu a
casa e o coração. Mostrou ser um homem simples que gosta de contar histórias e
que talvez, por isso tenha exercido tão bem a profissão que escolheu e com a
qual, trabalhou por quatro décadas.
Logo de cara,
descobri que o nome dele, na verdade, é Gilvandro Soares da Cruz. Mas, ele
mesmo brinca: “Na rua, as vezes chamam: - “Gilvandro!”E eu não ligo. Quando
chamam: - “Ceguinho!”Aí, eu sei que é comigo.” (risos). O apelido o acompanha
desde a infância. Um amigo apelidado por ele de Zé da Peida resolveu
revidar a homenagem e o batizou de Cego Orgulhoso. “Eu sempre fui vesgo.
Mas, fazia sucesso com as meninas” comenta. E o apelido pegou: “Minha mãe não
gostava, mas, eu nunca liguei.”
O garoto
Gilvandro era também atleta. O esporte preferido era o basquete e ele era uma
promessa. Foi um dos destaques da seleção de basquete de Cachoeira. Duas vezes
campeão baiano, chegou a passar por alguns clubes de Salvador. Mas, a carreira
nas quadras não engrenou. O garoto talentoso retornou a Cachoeira, cresceu e se
tornou professor. O apelido mudou também. De Cego Orgulhoso para Ceguinho,
professor do Colégio Estadual da Cachoeira e incentivador do esporte na cidade.
Ele relembra com saudade a epopeia da construção do estádio municipal de Cachoeira que hoje
se chama 25 de junho, em homenagem a data magna da cidade. Segundo ele, antes
havia apenas o pequeno campo do Fluminense de Cachoeira e o presidente do clube
convocou os torcedores a ajudar na construção do estádio. Mas, não só os
torcedores do Fluminense participaram do mutirão. Todos os amantes e
incentivadores do esporte reuniram-se e ajudaram carregando tijolos, cimento e pondo
a mão na massa, literalmente. Depois que o estádio ficou pronto os torcedores
construtores o transformaram numa verdadeira Bombonera. A seleção de
Cachoeira foi, por muito tempo, imbatível jogando no seu estádio. As partidas
mais marcantes eram quase sempre contra a arquirrival seleção de São Félix.
Ceguinho foi
também vereador por dez anos consecutivos e por isso hoje reclama dos políticos
faltosos “Naquela época, as sessões aconteciam duas vezes por semana, durante o
dia, a gente não recebia um centavo. Hoje em dia, eles ganham bem, é uma sessão
por semana e eles ainda faltam” Hoje, o ex-atleta e ex-político Ceguinho
caminha com dificuldade, por conta de um derrame sofrido em 2009. Só sai de
casa para ir a barbearia. Passa a maior parte do tempo em casa e só acompanha
os esportes pela TV. Ele revela que sente falta dos irmãos que já faleceram e
dos amigos da época de juventude. Longe das salas de aula que comandou por
quarenta anos, ele também mostra preocupação com os jovens e a educação de hoje
em dia: “Naquele tempo, a gente levantava de manhã cedo para fazer Educação
Física e ninguém faltava. Hoje em dia, não é mais assim. Nesses anos todos, eu
quase não faltei. No dia que eu não ia, podiam saber que, ou eu estava doente,
ou tinha acontecido alguma coisa.”
Um homem que se
dedicou tão bem a tudo o que se propôs a fazer na vida, realmente merece um
descanso. A nós cabe o prazer de sermos ouvintes deste homem. Gilvandro Soares
da Cruz, o Ceguinho. Um exemplo de professor, político, atleta, cidadão, enfim,
um exemplo de pessoa.
Torcer Para Quem?
Responda rápido. Qual o último clube do
recôncavo a disputar a primeira divisão do campeonato baiano? Se você achou a
pergunta difícil e não consegue, nem ao menos, se lembrar de uma possível
resposta, você não está numa situação muito diferente dos apaixonados por
futebol do recôncavo. Sem clubes da região na disputa, os amantes do esporte,
hoje, engrossam o coro das torcidas de Bahia e Vitória, mas, nem sempre foi
assim.
Faz tanto tempo, que pouca gente se
lembra, mesmo. O último time da região a disputar a primeira divisão do baianão
foi o Cruzeiro de Cruz das Almas, no longínquo ano de 2004. Naquele ano, o azul
e amarelo, como era conhecido participou de uma acirrada disputa. Os principais
adversários eram o Bahia, que havia acabado de ser rebaixado no campeonato
brasileiro e o Vitória, que tentava alargar o sofrimento tricolor e era o atual
campeão estadual. Após mais de três meses de épicas batalhas e grandes
confrontos, o tigre de Cruz das Almas acabou rebaixado.
Na memória do torcedor cruz-almense, uma
campanha permanece viva. Em 2002, a Federação Baiana de Futebol, separou os
times do interior e da capital em duas fases distintas, criando o Campeonato
Baiano só com times do interior e o Super Campeonato Baiano que teria Bahia, Vitória
e os quatro melhores clubes do interior. O Cruzeiro então fez, simplesmente, a
melhor campanha da sua história, sendo o segundo melhor da primeira fase,
ficando atrás apenas do Palmeiras Nordeste. Na segunda fase, o time não
conseguiu repetir as boas atuações e ficou em quarto lugar. O Vitória acabou
campeão.
Depois de 2004, o clube nunca mais
conseguiu se reerguer. A volta para a segunda divisão afastou patrocínios e a
torcida. Jogadores foram embora e o Cruzeiro não lucrou em praticamente nenhuma
negociação. O time que já havia conquistado a série b em 1998 não conseguiu
repetir o feito. Os anos se passaram e o time definhou em dívidas. No auge da
crise, chegou a ficar inativo. O fim estava próximo.
O Cruzeiro retomou suas atividades no
ano passado. Graças a uma parceria com a prefeitura que criou o projeto social
“Construindo o Futuro Através do Esporte”. Uma
grande peneira com mais de mil jovens de 7 a 17 anos. Os melhores foram
selecionados para integrar a divisão de base do azul e amarelo. Agora em
2012, O time conquistou o vice-campeonato do torneio seletivo da FBF para a
segunda divisão do campeonato baiano, competição que o azul e amarelo não
disputa desde 2004.
Com isso, o Cruzeiro está de volta a
briga para chegar a elite do futebol estadual e representar o recôncavo na
primeira divisão. O novo desafio começa no dia 28 de abril, além do Astro, o Cruzeiro
terá como adversários: Botafogo, Galícia, Ipitanga, Ypiranga, Colo Colo,
Guanambí, Jacuipense, Jequié, Astro.
Os Verdes-louros de Euvaldo Rosa
Prefeito da maior cidade do recôncavo
chega ao fim de oito anos de administração. Nesse tempo, Euvaldo Rosa (DEM) viu
seu partido quase acabar, passou por situações polêmicas, não cumpriu as
principais promessas da campanha. Mas,
consegue chegar com boa popularidade ao fim do mandato. Euvaldo assumiu a prefeitura
em 01 de janeiro de 2005, depois de ser eleito com 50,3% dos votos numa
acirrada disputa contra Humberto Leite (PSDB) que obteve 42,6%. Candidato do
ex-prefeito, Álvaro Velloso Bessa, chegou prometendo continuidade e assim foi.
Mas, em oito anos de governo, não foram poucos os casos que dividiram a opinião
dos santo-antonienses em relação ao prefeito democrata.
A cor da discórdia
Assim que assumiu o comando da prefeitura,
Euvaldo mandou pintar todos os prédios públicos de verde, cor que escolheu para
ser marca da sua administração. A medida inusitada gerou reclamações de uns e
piadas de outros. A própria prefeitura passou a ser chamada por alguns de Casa
Verde num claro protesto a ideia do mandatário. Mas, o que era cômico virou
protesto quando numa fracassada tentativa de regularizar o serviço de moto táxi
na cidade, a Superintendência Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT)
decretou que todos os motoqueiros precisavam pintar suas motos na cor adotada
pela administração. A medida também reduziria o número de moto taxistas da
cidade de mais de dois mil para apenas seiscentos. Durante os protestos da
categoria, o prédio da prefeitura chegou a ser alvo de um atentado, onde um
vigilante ficou ferido, após a explosão de uma bomba caseira. Hoje em dia, a SMTT
voltou a relaxar a fiscalização e a maioria dos moto taxistas segue trabalhando
de maneira irregular e sem ter a moto pintada de verde.
Cidade sem palmeiras
Santo Antonio de Jesus, também é
conhecida na região como Cidade das Palmeiras, por causa das palmeiras
seculares que existiam paralelas a antiga linha do trem. Outra ideia
controversa do prefeito mexeu diretamente com esse patrimônio santoantoniense.
Euvaldo ordenou a derrubada das palmeiras seculares que ficavam na Avenida
Ursicino Pinto de Queiroz durante as obras para a construção da nova praça.
Praças
Praças, esse é o primeiro ponto negativo
que os santo-antonienses lembram em relação ao prefeito. Isto porque, as duas
mais antigas da cidade, não foram reformadas como se esperava. A Praça Padre
Mateus, que virou um grande estacionamento, tinha sua reforma dada como certa
pelo então candidato a prefeitura Euvaldo Rosa. Na Praça São Benedito, a
Paróquia acabou reformando por conta própria a igreja e o cruzeiro, o resto da
praça segue sendo livremente usada pelos comerciantes que expandiram seus
trailers colocando toldos e construindo até banheiros particulares no espaço
que já nem parece mais ser público. Euvaldo preferiu investir em reformas e
construções de praças e áreas de lazer em bairros mais periféricos da cidade
como o Bairro São Paulo, a Urbis I e a Urbis IV. Nessas praças, a padronização
dos estabelecimentos comerciais foi respeitada e a população passou a ter mais
uma opção de lazer. Ponto positivo para o prefeito.
Promessas
No social, o prefeito do DEM também viu
projetos dados como certo não saírem do papel. Um deles, o Bolsa Família
Municipal que prometia um benefício maior para as famílias de baixa-renda do
município e nunca virou realidade. Outro programa que também não avançou foi o
Projeto Fênix prometido para regularizar a fabricação de fogos artifício no
município (Em dezembro de 1999, 64 pessoas morreram na explosão de uma fábrica
de fogos em Santo Antonio de Jesus).
A Popularidade de Euvaldo
Então como explicar a boa popularidade
com que Euvaldo chega ao fim dos seus oito anos de mandato. Nesse tempo não há
como negar que a cidade segue em plena evolução, e o nome do prefeito quase
sempre esteve ligado aos avanços do município. Como a criação do Pólo
Industrial que reuniu fábricas e indústrias numa área afastada do centro da
cidade, demonstrando consciência ambiental e atraindo novas empresas, algumas
delas internacionais, inclusive. Euvaldo também ajudou a consolidar a Festa de
São João da cidade como uma das maiores e mais requisitadas do país. Euvaldo
deu aval para a volta das linhas de ônibus que foram bem reintegrados ao cotidiano
dos santo-antonienses.
Euvaldo também ganhou pontos em obras
nas quais o governo municipal teve pouca ou quase nenhuma participação. Foi na
administração de Euvaldo que a cidade ganhou um centro da Universidade Federal
do Recôncavo da Bahia (UFRB). O Centro de Ciências e Saúde (CCS), que em breve
deve passar a oferecer o curso de medicina. A população finalmente viu a
inauguração do Hospital Regional de Santo Antonio de Jesus (HRSAJ) e uma
unidade do SESC Clube do Comércio foi instalada na cidade.
Sucessão Municipal
Agora o prefeito do DEM, espera usar a
sua popularidade para eleger um sucessor a Casa Verde. O mais provável nome
para candidato do prefeito é o do deputado estadual Rogério Andrade (PSD). Mas,
outros pré-candidatos, ainda correm, por fora, na briga pelo apoio do atual
prefeito. O vice-prefeito, Juanito Barbosa (PP) declarou recentemente que
almeja se tornar o primeiro prefeito negro da capital do recôncavo, gerando um
problema dentro do partido que já havia começado a trabalhar na campanha do
médico Leonel Cafezeiro. Ainda na base do governo, outro nome forte é o da
ex-vice-prefeita Dalva Mercês (PSB) que quer se tornar a primeira mulher a
governar a cidade.
Na oposição, os nomes mais cotados são
do PT com o vereador Aílton Santos e o ex-prefeito Álvaro Veloso Bessa, recém
chegado ao partido. Quem também deve ter candidato próprio é o PDT que
confirmou a pré-candidatura do ex-prefeito Humberto Leite, mas, tem o médico
Everaldo Júnior também buscando apoio para ser o concorrente nas eleições em
outubro. Ao que tudo indica, mais uma vez, a sucessão municipal deve ser
pautada pelos partidos da base aliada. Um desses partidos é o PCdoB, onde o
arquiteto César Queiroz, nome já carimbado nas eleições santo-antonienses já
teve sua pré-candidatura confirmada.
Chama o SAMU

Serviço de Atendimento Móvel de Urgência
esse é o significado da sigla SAMU estampada ao lado do número 192 que com certeza
você já deve ter visto em uma ambulância. Nos últimos meses então, o SAMU se
multiplicou e agora já está presente em mais de 30 cidades da região. Mas o que
é o SAMU? Como ele funciona? Desde quando ele existe? A Reconvexo Magazine traz
agora para você algumas respostas sobre o SAMU, que você pode até não querer
ler. Mas, um dia pode precisar... Quem sabe?!
Apesar de novo por aqui, a ideia do SAMU
não é nova e muito menos brasileira. O primeiro SAMU foi inaugurado na França,
no ano de 1986 e é lá que se encontra o serviço de atendimento emergencial mais
eficiente do mundo. No Brasil, o serviço chegou em 2003, a Porto Alegre e
Ribeirão Preto, como parte integrante da Política Nacional de Atenção As
Urgências do Sistema Único de Saúde (SUS). O SAMU regional cuja sede fica em
Santo Antonio de Jesus foi inaugurado no ano passado, os municípios receberam
os veículos de salvamento do governo federal e investiram na montagem das
equipes e das bases para os veículos.
De acordo com a portaria que criou o
SAMU brasileiro, um resgatado pela equipe de salvamento nunca pode ter o
atendimento negado em hospitais. Por isso, as unidades de saúde da região são
obrigadas a reservar um número de leitos para o SAMU. Esse número varia de
hospital para hospital. As ambulâncias,
maioria por aqui, também são diferentes. Existem dois tipos, a Unidade de
Salvamento Básico (USB) e Unidade de Salvamento Avançado (USA). A diferença é
que as unidades avançadas são UTI’s móveis e sua equipe é composta por um
médico, um enfermeiro e um motorista-socorrista. Já nas unidades básicas a
equipe é formada por um motorista-socorrista e um técnico de enfermagem.
No Recôncavo, Santo Antonio de Jesus e
Cruz das Almas foram escolhidas respectivamente como sede e sub sede regionais,
responsáveis também pela fiscalização e regulação das outras unidades do
serviço na região. Quando alguém de São Félix, por exemplo, liga para o 192, a
ligação vai parar na Central de Regulação, em Santo Antonio de Jesus e é o
médico-regulador de lá quem destina uma ambulância para socorrer a vítima e um
hospital para onde ela deve ser levada.
Com ligações a custo zero, mesmo a
partir de telefones celulares, o número de trotes destinados ao 192 é alto. A
Central de Regulação contabilizou mais de cinco mil trotes só no primeiro mês
de funcionamento do serviço. Uma campanha publicitária já está sendo pensada
para conscientizar a população e diminuir os trotes. Esperamos que essa matéria
também ajude, afinal de contas, nunca se sabe quem vai ser o próximo a precisar
chamar o SAMU...
Tipos de Salvamento
O SAMU foi pensado para dar auxílio
rápido e salvar vidas em casos como na ocorrência de problemas cardiorrespiratórios, em casos de intoxicação
exógena, em caso de queimaduras graves, na ocorrência de maus tratos, em
trabalhos de parto onde haja risco de morte da mãe ou do feto, em casos de
tentativas de suicídio, em crises hipertensivas, quando houver acidentes/trauma
com vítimas, em casos de afogamentos, em casos de choque elétrico, em acidentes
com produtos perigosos e na transferência inter-hospitalar de doentes com risco
de morte.
Cidades Com SAMU
Amargosa, Castro Alves, Cruz
das Almas, Governador Mangabeira, Jequiriçá, Laje, Maragojipe, Milagres,
Mutuípe, Nazaré, Santa Terezinha, Santo Antonio de Jesus, São Felipe, São
Félix, Tancredo Neves, Ubaíra e Varzedo.
Países Com SAMU
Argélia, Argentina,
Áustria, Bélgica, Benim,
Bolívia,
Chile,
Colômbia,
Costa do
Marfim, Cuba,
Espanha,
França,
Itália, Irlanda, Luxemburgo, Marrocos, México, Portugal e Tunísia.
Foto: Natanael Luís
A Cidade e o Poeta
Caminhar pelas ruas da cidade de São Cristóvão, em Sergipe é uma coisa. Caminhar ao lado do senhor Manoel Ferreira dos Santos, é outra. Sentar-se pra bater um papo rápido então, é ter a chance única de fazer uma viagem no tempo. E a viagem pela história da vida do Seu Manoel se confunde com a história da própria cidade. São Cristóvão é a quarta cidade mais antiga do Brasil. Tem quatrocentos e vinte e um anos. Já foi a capital sergipana. Foi também palco de guerras e invasões holandesas e espanholas que a destruíram. Hoje reconstruída, soma uma população de quase oitenta mil habitantes.
Entre eles Seu Manoel, o poeta. Sentado na escadaria do prédio dos Correios, para descansar da caminhada. O hoje aposentado de oitenta e nove anos, é cumprimentado por todos que passam, alguns não se contentam simplesmente em reverenciá-lo, se aproximam, puxam conversa e fazem questão de receber ao menos um aperto de mão. O Poeta Manoel, nasceu, cresceu e morou a vida inteira em São Cristóvão. Veio da roça ainda pequeno. Na cidade casou-se, teve filhos, netos e bisnetos e entrou para a história política do estado de Sergipe. Chegou a ser deputado estadual. Depois de saber que estava eleito, sofreu um golpe da classe elitista da época e teve que dividir a cadeira com um adversário. Apesar dos pesares, ele ainda se recorda do anúncio feito por um locutor de rádio de que estava eleito e a festa da classe operária que o carregou nos ombros:
- O tirbunal pronunciou o resultado. “Partido Trabalhista Brasileiro elegeu quatro deputados estaduais: Eugênio Lacerda, de Aracaju; Hildebrando Néopila, de Vila Nova; Iruphá Militão, que era o filho do presidente do partido, de Salgado Estância; e Manoel Ferreira doos Santos, da cidade de São Cristóvão.” Aí veio, aquela turma de operários cantando, aquela alegria, eu me levantei, saí com eles, fomos até um bar perto da antiga estrada de ferro. E lá, eu disse ao dono do bar: “ Faça o levantamento do seu estoque de comer e beber, libere para os amigos e amanhã me dê a conta.”
Ele ainda se candidatou ao governo do estado. Não se elegeu mas, entrou para sempre na história da pacata São Cristóvão. Virou a lenda viva, que hoje, se orgulha de ter filhos, netos e bisnetos, formados e trabalhando na capital, a maioria deles advogados. Hoje o que deixa esse homem de 89 anos e centenas de histórias feliz é viver para ver o tempo passar, prozear com os amigos, e recitar seus poemas.
Seu Manoel caminha tranquilo, feliz com aquilo que conquistou, sabe que o vigor da juventude já não o acompanha mais. Sabe que o fim está de fato mais próximo que o começo. Mas, sabe tambem que se não fosse por ele. Aquele seria um lugar diferente, talvez mais triste, talvez menos elegante. Mas, não gosta de pensar nessas coisas. Talvez também, por ter vivido o bastante pra saber que se ainda está vivo é por que ainda há muito para realizar. Conheça um dos poemas do Seu Manoel :
Solidariedade
Fé, coragem e dignidade
Em toda e qualquer circustância da vida
Para gozar tranquilidade
E viver de fronte erguida
Fé, patrimônio sagrado
Gratuitamente adquirida
Mérito assegurado
Nesta e em outra vida
Quem solidário sorri
Saboreando delícias
no decorrer da vida
E ao alcançar a velhice
Alcançará a vida eterna
Alegria meus amigos
Solidificando a solidariedade
Patrimônio de quem crê e ama
E preserva a dignidade
O presente que vos dedico
A título de homenagem
Com estima e respeito
Deste negro velho, feio
Seria o cântico dos pássaros
Um beijo no coração
A título de homenagem
Fiquei enriquecido
Por Jesus Cristo apaixonado
Muito obrigado
Tente Outra Vez
Em toda eleição é a mesma coisa. Candidatos do mundo político se vêem obrigados a disputar a preferência dos eleitores nas urnas com candidatos famosos. No pleito deste ano, não foi diferente, muitas carinhas conhecidas no meio artístico tentaram adentrar na vida pública. O mais famoso deles acabou eleito, como já previam os especialistas, Tiririca (PR-SP) conseguiu a incrível marca de 1.353.640 votos, tornando-se o segundo mais bem votado da história (Éneas Carneiro conseguiu 1.573.642 votos pelo Prona em 2002) e ajudando a eleger outros quatro deputados federais. No Rio, o apresentador Wagner Montes (PDT) foi o deputado estadual mais bem votado e também se elegeu.
Mas, na Bahia os famosos vão ter que tentar outra vez. Nenhum deles conseguiu vaga em Brasília. Quem chegou mais perto foi o ex-pugilista Popó (PRB) que teve 60.338 votos para deputado federal e só ficou de fora pelo quociente eleitoral.
Na disputa estadual, o mais lembrado, nas urnas, foi o ex-apresentador do programa “Na Mira”, Uziel Bueno, que teve 27.791 votos. Seguido da ex-dançarina Léo Kret do Brasil (PR) que obteve 22.534 votos. Também se arriscaram nas urnas sem sucesso, a filha do apresentador Raimundo Varella, Sheilla Varella que teve 21.721 votos; Jean Nanico, ex-apresentador do programa “Se liga no pida!” da rádio Piatã FM, assinalado por 5.096 eleitores, e os cantores Gerônimo Santana e Flavinho (ex-pagodart) lembrados por 3.854 e 3.529 eleitores respectivamente. O último lugar do ranking dos políticos famosos baianos foi de Márcio Moreno, O rei do arrocha, preferido por apenas 1.383 eleitores.
Os baianos só conseguiram sucesso fora da Bahia. O Rio de Janeiro, por exemplo, terá dois baianos no congresso. O ex-BBB, Jean Wyllis (PSOL) e o ex-jogador de futebol Bebeto Tetra (PDT), Já Vampeta (PTB) que se candidatou por São Paulo, teve a mesma sorte de quem se candidatou por aqui, ganhou experiência para a próxima.
Fonte de Água Morta

O cantor baiano Raul Seixas morreu há 21 anos, mas até hoje tem uma legião de fãs. Em uma de suas músicas mais conhecidas, “Água viva”, Raul diz conhecer uma fonte de água viva que mata a sede e que esconde os segredos da vida. Talvez, esta seja a Fonte da Gameleira. A Fonte da Gameleira deu origem à São Gonçalo dos Campos, cidade a 116km de Salvador, Reza a lenda que ainda no século XVII, pescadores encontraram nas águas da fonte a imagem do santo português. A devoção pelo santo fez nascer um arraial ao redor das águas. O arraial cresceu e hoje, tem mais de 30 mil habitantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
As águas da Gameleira são cercadas também de outros mistérios. Milagres que a medicina jamais conseguiu explicar aconteceram ali. Paulo Sérgio, 52 anos, coveiro, conta a história do paralítico que veio numa romaria de muito longe, bebeu e banhou-se da água e voltou pra casa andando. Outros casos de curas, principalmente de doenças de pele são relatados por populares. O pároco da cidade Aristóteles Silva, relata a incidência de curas milagrosas relacionadas à fonte.
Mas, de uma hora pra outra, o que era local de devoção dos religiosos se tornou caso de saúde pública. Uma análise laboratorial considerou que a água da Gameleira é imprópria para o consumo, por conta da sua proximidade com o cemitério. Desde então, o lugar que atraia romarias de diversas regiões da Bahia está vazio. Mesmo estando recém restaurada a fonte agora não passa de um local propício a ação de vândalos e a foco de mosquitos aedes aegypti. O secretário de agricultura e meio ambiente do município Murilo Costa Ferraz, diz que na ocasião da interdição estava participando de um curso em outra cidade e ainda não foi informado oficialmente sobre a interdição. O padre Aristóteles desaconselha o consumo da água, mas diz que a tradicional Romaria do Ouvinte, continuará acontecendo sempre no 2° domingo do mês de janeiro e os fiéis que desejarem, poderão visitar a fonte do milagre, desde que não entrem em contato com a água.
Foto: Larissa Araújo
Irmão Rico, Irmão Pobre
Quando o assunto é futebol, os apaixonados pelo tema concordam numa coisa. O Barcelona da Espanha é um dos melhores times da atualidade. A equipe é a base da seleção nacional campeã na África do Sul, tem uma das folhas salariais mais caras do mundo do esporte, uma estrutura milionária e craques consagrados como o argentino Lionel Messi, o espanhol Xavi e o brasileiro Daniel Alves. Mas isso todo mundo sabe. O que pouca gente sabe é que em São Félix, cidade a 110 km de Salvador, longe dos holofotes e das cifras catalãs, o amor de três amigos pela bola fez nascer um xará, o Barcelona do Recôncavo, tão amado pela torcida e tão temido pelos adversários quanto o gigante espanhol. Começou em 2008. Antes de lotar estádios, os torcedores do Barcelona enchiam ginásios. A mudança de terreno surtiu efeito e no ano passado o time chegou ao inédito título de vice-campeão do Torneio Interbairros da cidade de São Félix. A façanha disparou o número de torcedores do time, hoje a cada jogo cerca de 200 apaixonados lotam as arquibancadas e esse número só cresce a cada dia.
Dura Realidade
Enquanto o irmão rico disputa o campeonato mais importante do mundo, a Liga dos Campeões, o pobre convive com o amadorismo do futebol brasileiro. A ausência de competições para disputar é um sério problema do Barcelona do Recôncavo. Hoje, sete jogadores estão emprestados à seleção de São Félix que disputa o Campeonato Baiano Intermunicipal. O time só volta à ação em setembro para um torneio de futebol de salão. A diretoria e os jogadores estão confiantes em um retorno vitorioso às origens. Outro problema é a falta de investimento. Os patrocínios são tímidos e a maior parte dos recursos vem do bolso dos fundadores do clube e do esforço coletivo dos jogadores. Wagner, 27 anos, volante, diz que pretende encerrar a carreira no clube. Já Jorgão, 28 anos, lateral, compara-se a um jogador de outro grande clube europeu, o Milan da Itália. “Acho que pareço com o Seedorf, que é o mais bonito do time”, exagerou o atleta.
Fotos: Lenise Luz
Onde Os Fracos Não Têm Vez
Como já dizia o poeta: “Nem sempre a fraqueza que se sente, quer dizer que a gente não é forte!” Encontrei ontem com uma amiga dos tempos de faculdade, conversamos por algum tempo e rimos juntos ao lembrar a época em que eu a abraçava, enquanto ela chorava, desesperada, reclamando em meio a soluços da sua falta de força. Dali discorreu um diálogo que me fez lembrar o quanto éramos realmente fortes. Afinal de contas, a grande maioria de nós não tinha sequer vinte anos, quando saímos de nossas casas, das casas onde fomos criados, do aconchego e principalmente do conforto, de ter ali por perto pai, mãe, irmãos, namorados, empregados talvez, para de uma hora para outra, nos vermos sós, dividindo casas com pessoas que jamais imaginávamos conhecer, e que realmente não teríamos conhecido, se não fosse por nossa própria vontade.
Todas as vezes que vejo na televisão, uma daquelas reportagens em que aparece uma sala de aula repleta de jovens preparando-se para o vestibular, passa-me pela cabeça a idéia de que se eles soubessem a dureza que nós enfrentamos, o número de interessados naquela e em tantas outras salas seria bem menor. E é mais do que simplesmente aprender a lidar com egos alheios. Descer do salto para aprender a realizar tarefas domésticas. Lidar com a recorrente falta de dinheiro e aprender a administrá-lo da maneira mais duradoura possível. É necessário continuar alimentado o sonho. Ir combatendo o cansaço que vai aumentando a cada dia que passa. É necessário engolir o choro quando alguém diz que aquele trabalho que você levou semanas para fazer está tão sintético quanto o diário de uma velha virgem. Se puder reencontrar aquela amiga, talvez lhe repita essas frases, mas estamos tão velhos, que se isso acontecer, acho que já não me lembrarei de boa parte das reflexões que estou tendo agora. A única certeza que levarei para o túmulo é que mesmo que não tenhamos notado a nossa força, não a desprezamos, quando mais precisamos, nós fomos sim incrivelmente fortes, mesmo que de alguma forma, não acreditássemos nisso.
Palavras de Alto Calibre
Queria fazer o bem, queria servir ao bem. Mas, como? Se aonde vou, sou forçado a fazer exatamente o contrário? Se sou munido de balas que me recheiam, mas que não me alimentam. Que me completam, mas não dizem quem eu sou. Balas que não sabem das minhas vontades, que ameaçam, que tiram vidas. Ainda antes de ter meu gatilho apertado por dedos inconsequentes, de voltar a sentir o gosto amargo da pólvora na minha culatra, de ter desferido o tiro, cumprindo assim minha função vital, posso ver rostos assustados, que me olham com medo, perplexos com a violência que eu causo, posso sentir as mãos trêmulas e tensas, o suor frio a escorrer e o pulsar ligeiro que denunciam o nervosismo ou a frieza de quem me porta.
Logo eu que não gostaria de ser assim, que não gostaria de ser isso que me tornei. Meu tiro é também um grito de dor que rasga o meu peito, tanto quanto o peito da vítima que eu acabei de criar. A verdade é que todas as vezes que mato também morro.
Então, como posso ser feliz se só vejo dor e tristeza no ato que me designa dos outros objetos? Como posso estar bem e ter paz se toda vez que vejo um rosto amedrontado clamar pela vida enxergo e causo a morte?
Pode ser que quem leia essas palavras, talvez não acredite em mim, ou nas minhas reais intenções, mas eu queria ser inutilizado, derretido, transformado. Fazer assim, parte de um novo objeto, ter uma nova função, novos objetivos. Quem sabe ser misturada a outros elementos para um dia ter o prazer de cobrir o peito do herói de uma nação qualquer? Eu queria...
O pequeno Manfred
Mamãe ainda não sabe, mas eu acho que já sei de onde vêm os bebês. Vou contar a verdade para ela e se ela não quiser acreditar ou quiser me dar umas palmadas, contarei ao Tito. Tudo começou quando ouvi a vovó dizer, para o filho da vizinha, que os meninos nascem em pés de alface. Pensei comigo: “Que coisa feia, a vovó nessa idade, mentindo”.
Mas, depois descobri que nem ela nem os outros sabem da verdade ainda. Isso porque a mamãe diz que bem na hora em que a cegonha me jogou pela chaminé, debaixo havia um caldeirão grande com água fervendo, e é por isso que eu não posso ver o mundo como meus amiguinhos vêem. Mas, eu gosto de passar a mão no rosto do Tito, por exemplo, e ver como ele está feliz só de estar perto de mim. E mamãe diz que ver as coisas sentindo com os dedos das mãos, também é belo.
Ah! Quando eu contar ao Tito, ele vai querer ir correndo buscar o meu irmãozinho, só pra acabar com a ansiedade da mamãe. A mamãe anda tão nervosa que a barriga dela está até crescendo. Também do jeito que ela está comendo. Vive dizendo que precisa comer por dois por causa do bebê. Ainda ontem, ouvi a vizinha dizer que ela comeu a melancia inteira de novo, vê se pode?
Depois fica lá na janela passando a mão na barriga. Depois que o Tito, veio morar com a gente, a mamãe só fala do meu irmãozinho que a cegonha está trazendo. Até falei pra ela tirar o caldeirão de debaixo da chaminé só pra disfarçar por que afinal de contas, eu já sei que não é a cegonha que traz os bebês.
Ora, eles vêm da casa do papai do céu, sabe meu papai também foi morar lá, um pouco antes de a cegonha me jogar pela chaminé. Não sinto muito a falta do papai, porque tem o Tito. Mas, queria tocar o rosto dele pra saber como é. Saber se a boca é grande. Se o nariz é pontudo. Se ele tem olhos esbugalhados iguais aos do Tito.
Está resolvido contarei primeiro ao Tito e depois a mamãe. Mas, só vou contar amanhã. Porque se eu contar agora, ele vai querer ir já e não vai querer me levar. Porque vai dizer que já é hora de criança estar dormindo.
Assinar:
Postagens (Atom)







